quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Entrevista ao investigador José António de Jesus Martins


Entre Vistas - Quais eram as Brincadeiras preferidas das crianças e dos jovens portugueses na Idade Média?
José A. J. Martins - As brincadeiras das crianças e dos jovens portugueses da Idade Média eram iguais às dos outros meninos da Europa. Havia dois tipos de classes sociais, propriamente ditas, os meninos mais ricos e os meninos mais pobres. Os meninos mais ricos brincavam com melhores brinquedos, mais coloridos, por exemplo, os tambores que eram decorados, os fantoches que eram pintados. Os meninos mais pobres brincavam com brinquedos e utensílios mais pobres e em menor quantidade. Aqui, no Algarve, foi descoberto, acerca de sete anos, numa escavação arqueológica, no museu de Silves, miniaturas para rapazes e para raparigas. Os arqueólogos encontraram, para as meninas, panelas, bolos e bonecas em miniatura. É engraçado, porque algumas das bonecas encontradas tinham uma barriga muito saliente. Isto quer dizer, que era, desde logo, uma educação e um convívio para a maternidade, porque elas estavam destinadas a serem mães. Para os meninos, eram mais aqueles cavalinhos de madeira e as espadas de madeira ou de metal. Conforme as classes sociais, assim, havia os brinquedos… e depois, naturalmente, as brincadeiras. Não se misturavam os nobres com o povo para brincar. Mas, havia momentos, nas praias, nos rios, nas pontes, em que, muitas vezes, se encontravam… e então… brincavam todos juntos. Mas, havia uma distinção entre os meninos e as meninas, e os meninos ricos e os meninos pobres.
Entre Vistas - Na Idade Média, nas brincadeiras e nos brinquedos, havia muitas diferenças entre Portugal e a Europa?
José A. J. Martins - As diferenças não são muitas. As grandes diferenças começam a aparecer com os descobrimentos portugueses, nos séculos XV e XVI. Os portugueses iniciam a aventura dos descobrimentos com a conquista de Ceuta, em 1415, e terminam, no século XVI, no reinado de D. Sebastião, com a entrega, pela China, de Macau a Portugal. São assim, estabelecidos contactos com povos de África, da América e do Oriente. Do Oriente chegam muitas coisas novas. Quem traz as mercadorias, traz também muitos artefactos, muitos materiais e muitas inovações que são adaptadas a Portugal, às classes sociais. Por exemplo, o xadrez e os jogos de cartas são adaptados a novas brincadeiras e a novos jogos. Podemos dizer que, até aos descobrimentos, as crianças portuguesas tinham o mesmo tipo de brinquedos e brincadeiras que os outros meninos da Europa, porque havia contactos dentro da Europa. A grande novidade acontece com os descobrimentos portugueses, sobretudo quando, nós chegámos à Índia e a outros pontos do Oriente.
Entre Vistas - Que comparações se podem fazer entre as brincadeiras e os brinquedos da Idade Média e as brincadeiras e os brinquedos actuais?
José A. J. Martins – Brinquedos ou brincadeiras? Quem é que surge primeiro? Eu acho que foram as brincadeiras que nasceram primeiro… espontâneas. Depois, há a necessidade de se ter qualquer coisa, para nos entretermos e que seja propriedade nossa. Os brinquedos e as brincadeiras nascem, assim, da vontade de entreter as pessoas, para servirem o lazer, como complemento às festas, associadas ao campo, à religião e outras. Os brinquedos, que nós temos hoje, nada têm a ver com os brinquedos de há quinhentos anos atrás. Agora, temos a tecnologia de ponta. São consolas, são uma quantidade de jogos que hoje adquirimos. Estão sempre a aparecer coisas novas. Isso tem a ver com uma coisa, que não existia naquele tempo, que é o consumismo actual. Muitos brinquedos, que nós hoje conhecemo, têm origem no século XIV e no século XV. Aquilo que havia até ao inicio do século XX, num país ainda muito rural, muito conservador, eram brinquedos oriundos dos séculos XIV e XV. Eu vou dar-vos o meu próprio exemplo. Quando tinha oito, nove anos lembro-me de construir papagaios de papel. A sua construção era simples. Eu ia apanhar umas canas, secava-as, unia-as em cruz e atava-as com um cordel ou uma corda. Depois, comprava ou pedia papel de seda muito leve e colava-o às canas com cola de farinha. Punha um rabinho de pano ou papel mais pesado. Atava o papagaio a um cordel para poder correr pela praia ou pela rua. E, o papagaio levantava voo. Era muito bonito. Aquilo durava uma ou duas horas. Hoje, nós compramos os papagaios já feitos, em estruturas superleves de metal ou PVC, e aquilo dura muito mais tempo. Hoje, temos muitos brinquedos com mecanismos complexos ou electrónicos que não existiam naquela altura. Mas, os brinquedos que, ainda hoje, podemos encontrar em feiras de artesanato ou em lojas de artesãos, em madeira ou metal, têm uma origem muito antiga e vêm desses séculos.

José António de Jesus Martins ao Raio X

Entre Vistas – Um brinquedo preferido?
José A. J. Martins – O papagaio de papel, construído por mim.
Entre Vistas – Local preferido para passar férias?
José A. J. Martins - Na Florida, no Cabo Canaveral.
Entre Vistas – Música preferida?
José A. J. Martins - Gosto de música clássica. A música clássica dá-me muita paz de espírito.
Entre Vistas – Livro que mais gostou de ler?
José A. J. Martins - Gostei de ler muitos livros. Há um, que eu gosto sempre de rever e que tem a ver com as ilustrações na Idade Média. É um livro que eu comprei nos Estados Unidos e que eu não encontro à venda aqui na Europa.
Entre Vistas – O filme da sua vida?
José A. J. Martins - “O Caçador”, com o Roberto de Niro. Tenho a “Colecção de Ouro” do Roberto de Niro.
Entre Vistas - Um dia especial?
José A. J. Martins - O nascimento da minha filha, dia 24 de Setembro.
Entre Vistas – Maior Virtude?
José A. J. Martins - A nossa maior virtude, e não falo por mim, tem que ser a humildade. Saber, de facto, aceitar os momentos menos bons da vida. E, regozijar e sentir-se bem com os momentos mais importantes da vida.
Entre Vistas – Maior defeito?
José A. J. Martins - O perfeccionismo. Gosto, sempre, de fazer as coisas o melhor possível, mesmo quando não é possível.
Entre Vistas – O que mais detesta?
José A. J. Martins - Falta de tempo. Trabalho das 8.30 até à meia-noite. Agora, também, sou professor numa escola. Saio de casa, às 8.10 e regresso a casa, à meia-noite e dez.
Entre Vistas – O que mais lhe dá prazer?
José A. J. Martins - Não ter nada que fazer.
Entre Vistas – Um desejo?
José A. J. Martins – Saúde… o mais importante.
Entrevista conduzida por Joana Fontoura e Tiago Jesus
Guião da entrevista - produção colectiva 6ºA (2009/10)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Entrevista ao artista plástico António Bota Filipe

António Bota Filipe nasceu há 78 anos e é um Coronel do exército na reforma. Nos anos oitenta, decidiu dedicar-se ao estudo das artes plásticas e da arquitectura. Em Abril de 1993, juntamente com a esposa, num terreno de três hectares que pertencia à sua avó Josefa, iniciou a construção do ZEFA - a Cidade da Arte, o maior centro de arte contemporânea privado em Portugal, no Sítio das Pereiras, em Almancil, constituído por vários edifícios e onde se pode ver artes plásticas, arquitectura, urbanismo e ambiente, tudo no mesmo espaço. É um local privado, mas ao mesmo tempo público, pois qualquer pessoa pode visitar o ZEFA. Totalmente financiado pelo casal, o centro ZEFA não teve qualquer apoio do Estado, nem qualquer apoio de mecenato privado. É neste espaço que António Bota Filipe expõe as suas criações artísticas.


Entre Vistas - Como é que nasceu a ideia da criação e construção deste parque?
António Bota Filipe - Por influência de um professor que eu tive de Matemática, Cálculo Comercial e Físico-químicas. Em todas as aulas, ele dedicava um quarto de hora à cultura. Isso marcou-me muito… eu gostaria também de poder marcar os outros. A arte é tão emocionante que vale a pena trabalhar, neste centro, para permitir que os alunos venham aqui completar os conhecimentos que adquiriram na escola. Esse professor apanhei-o no instituto comercial, na escola Tomás Cabreira.
Entre Vistas - Como define o ZEFA?
António Bota Filipe - Uma cidade contemporânea para exemplo das escolas. Este centro chama-se ZEFA em homenagem à minha avó que era a dona destes terrenos. Ela chamava-se Gertudes Josefa e daí vem o nome deste centro ZEFA.
Entre Vistas - Qual foi o percurso de vida do ZEFA?
António Bota Filipe - As primeiras obras começaram em Fevereiro de 1993. Comigo, como servente de pedreiro, e dois pedreiros fizemos esta obra. Com excepção da última peça, porque eu parti uma mão.
Entre Vistas - Considera que este Parque está concluído?
António Bota Filipe - Este parque não está concluído porque faltam os alunos e as escolas interessarem-se por isto. Ele só se completa quando as escolas cá vierem. Em termos de arquitectura e de espaços ele está concluído. Ele foi construído para usufruto dos alunos. Eu não estou muito interessado no turismo.
Entre Vistas - Quais são os projectos futuros para o ZEFA?
António Bota Filipe - Em Julho, fazer uma grande exposição e só convidar as escolas.
Entre Vistas - Qual é o sonho que gostaria de realizar mas ainda não teve oportunidade de concretizar?
António Bota Filipe - Era ter a capacidade física e material para poder, todos os dias, ter a visita guiada de uma escola.
Entre Vistas - Se pudesse recuar uns anos, o que mudaria na sua vida?
António Bota Filipe - Eu não mudava nada na minha vida. Estou satisfeito com a vida que tive. Talvez acabar mais cedo a minha vida. Acho que depois de uma certa idade a vida é chata.
Entre Vistas - Através do nosso Blogue que mensagem gostaria de enviar aos jovens portugueses?
António Bota Filipe - Gostaria de lhes dizer para que não sejam conservadores… sejam diferentes uns dos outros, para que o social evolua.

António Bota Filipe ao Raio X

Entre Vistas - Desporto preferido?
António Bota Filipe - Windsurf.
Entre Vistas - Local preferido para passar férias?
António Bota Filipe - Praia do Barril.
Entre Vistas - Cidade portuguesa preferida?
António Bota Filipe - Lisboa.
Entre Vistas - País que mais gostou de visitar?
António Bota Filipe - Estados Unidos da América… sobretudo Nova Iorque.
Entre Vistas - Prato de comida favorito?
António Bota Filipe - Açorda com peixe assado ou com sardinhas.
Entre Vistas - Estação do ano preferida?
António Bota Filipe - Primavera/Verão.
Entre Vistas - Animal de estimação?
António Bota Filipe - O cão.
Entre Vistas - Música preferida?
António Bota Filipe - “A Estrela da Tarde” do Carlos do Carmo… tenho uma história com essa estrela da tarde.
Entre Vistas - Livro que mais gostou de ler?
António Bota Filipe - “Como conseguir amigos” .
Entre Vistas- Artista plástico favorito?
António Bota Filipe - Júlio Pomar e Cabrita Reis.
Entre Vistas - Cor preferida?
António Bota Filipe - O Arco-Íris.
Entre Vistas - Maior virtude?
António Bota Filipe - Ser solidário.
Entre Vistas - Maior defeito
António Bota Filipe ? A teimosia.
Entre Vistas - O que mais detesta?
António Bota Filipe - A estupidez… o ser conservador.
Entre Vistas - O que mais lhe dá prazer?
António Bota Filipe - Ir à praia passear… estar em contacto com o mar. Eu gosto mais do mar do que do  campo. Quando o mar está bravo é fantástico. O mar traz-me outras sensações… o movimento, as ondas e a espuma… tudo aquilo envolve as pessoas. Começo logo a pensar nos barcos que andaram por aí a fora e a criar um mundo no meu imaginário.

Entrevista conduzida por Larisa Sas e Daniel Pereira
Guião da entrevista - produção colectiva 6ºA (2009/10)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Entrevista com o escritor António Torrado



Entre Vistas - Na sua infância era um bom leitor?
António Torrado - Era um razoável leitor. No próximo sábado, vou participar em Silves numa conferência, onde vou falar sobre os livros da minha vida. Esta conferência faz parte de um ciclo organizado pela biblioteca de Silves. Felizmente, que não me pediram um livro mas um conjunto de livros. O primeiro livro de que vou falar é da “Cartilha Maternal” de João de Deus, foi o livro que me abriu para os outros livros todos. Nessa altura, os livros não eram tanto atraentes quanto isso. Havia poucos livros para jovens e eu comecei a ler cedo demais, a ler livros que ainda não estavam bem para a minha idade. Eu não era um leitor que só lia. Também, praticava desporto, praticava hóquei em campo. É um desporto que em Portugal não tem muitos praticantes mas é uma modalidade olímpica, ao contrário do Hóquei em patins que ainda não é uma modalidade olímpica e também, praticava remo, porque morava à beira Tejo. Mas lia… Era particularmente atraído pelos livros que ainda não me eram destinados.
Entre Vistas - Como é que se iniciou na escrita?
António Torrado – Eu comecei por ser jornalista. A minha actividade de professor, a certa altura da minha vida, foi interrompida. Como eu trabalhava como jornalista num jornal de Lisboa, que se chamava “A Capital” e era o jornalista mais novo da redacção, atribuíram-me o suplemento infanto-juvenil que saía aos Sábados. Às Sextas, saía também um suplemento juvenil dirigido por um senhor que, anos mais tarde, viu ser-lhe atribuído o prémio Nobel da Literatura, de nome José Saramago. O meu suplemento tinha histórias, adivinhas, lengalengas, e poemas… e assim, eu fui ganhando o gosto pela escrita. Foi à conta desta situação, juntando as histórias que eu tinha criado para o suplemento do jornal que eu publiquei o meu primeiro livro.
Entre Vistas – De onde lhe vem a inspiração para criar as histórias e as personagens?
António Torrado – Para já, vem deste auditório, deste tipo de sessões. Uma das formas de eu recarregar as minhas pilhas é estar aqui convosco, perto deste auditório cheio de juventude. Estar convosco é uma forma de ganhar inspiração e de continuar a escrever.
Entre Vistas – De todas as obras publicadas qual ou quais as suas preferidas?
António Torrado – Eu quase tenho vergonha de dizer que escrevi para cima de 130 livros… E também escrevi peças de teatro, que vão juntar-se aos livros e dão mais um tanto… e ainda argumentos para cinema e para televisão, argumentos de ficção que escrevi porque trabalhei na RTP. Durante muitos anos, fui produtor principal e foi argumentista e guionista. Tudo isto dá por junto mais 25 trabalhos a juntar aos livros. Agora, lembrar-me de todos eles… não me lembro. Dizer qual é aquele que eu gostei mais é ainda mais difícil. Gostar, não sou capaz de dizer, mas custar, isso já sou capaz de dizer. O livro que me custou mais escrever foi um livro que eu fiz em dor física, em tremenda dor física. Eu tinha de entregar na editora, até Março, um livro que se destinava a ser publicado, no Natal de 1999, para o livro ser ilustrado, ser montado e ser posto no mercado em Outubro ou Novembro. Entretanto, no Natal anterior… no Natal de 98, dei uma grande queda numa escada de pedra e fracturei o cóccix. Durante três meses, não me podia sentar. Ou, estava deitado de barriga para baixo, ou, em pé. Eu tinha de fazer o livro. Tinha o livro já na cabeça, tinha de o fazer até Março… porque fazia parte do contrato… e escrevi-o. Escrevi-o numa bancada alta, em pé. Nunca, tinha experimentado… já sabia que havia escritores que escreviam em pé… O Eça de Queiroz, por exemplo, e escrevi em dor física. Ao escrever, esquecia-me das dores, porque a escrita também serve para nos aliviar das dores. Dores físicas, dores morais e a leitura também servem para isso.
Entre Vistas – De todas as obras que escreveu, qual ou quais as que lhe deram mais trabalho?
António Torrado – Esta, por exemplo, porque eu estava em pé, quanto muito para ver televisão podia estar de joelhos. Só de me lembrar disso, ainda tenho umas dorezitas.

António Torrado ao raio X


Entre Vistas – Um livro preferido?
António Torrado – Não vou falar de um livro preferido. Como já vos disse, no próximo sábado, vou falar da “Cartilha Maternal”, mas gostaria de vos falar de um livro que me marcou muito… “A Montanha Mágica” de um escritor alemão chamado Thomas Mann, mas isso é um livro para vocês lerem lá mais para adiante.
Entre Vistas – Um autor ou uma autora preferido?
António Torrado – Eu tenho muito prazer em saber que nas estantes das bibliotecas, quando os autores estão distribuídos por ordem alfabética, os meus livros estão chegadinhos aos livros de um grande escritor português… Torrado é vizinho de Torga… Torga primeiro, e Torrado depois… Tenho a impressão que não há outro escritor entre nós. Isso, dá-me um imenso prazer porque fico ombreando com um grande escritor que eu sempre admirei desde que comecei a lê-lo e que eu mal conheci quando estive em Coimbra. Também, tenho um grande prazer de saber que os meus livros de teatro estão perto de um grande escritor dramaturgo russo chamado Tchekov… Tchekov e Torrado também estão perto um do outro… não sei se aparece algum outro pelo meio… mas dos dramaturgos que eu conheço, não estou a ver ninguém… e antes de nós, está outro grande escritor dramaturgo que se chama Shakespeare… e são estes os escritores que eu tenho como principais alvos da minha admiração.
Entre Vistas – O filme da sua vida?
António Torrado – Um dos filmes da minha vida foi “Do Céu caiu uma Estrela”, com o actor James Stewart, outro foi “A Quimera do Ouro”, com o Charlot, mas tenho muitos. Eu fiz cineclubismo e gosto muito dos filmes antigos, anteriores ao meu tempo de cinema. E recomendo-os para quem gosta de cinema.
Entre Vistas – A cidade que mais gostou de visitar?
António Torrado – Muitas, mas destaco o Rio de Janeiro.
Entre Vistas – A cidade que gostaria de visitar?
António Torrado – S. Petersburgo que ainda não conheço. Gostaria de fazer um cruzeiro começando pela Suécia, navegar no mar báltico, tocar a Lituânia e a sua capital Riga e descer até S. Petersburgo.
Entre Vistas - Um dia especial?
António Torrado - Por acaso, o dia do meu aniversário não é um dia que seja, para mim, muito especial. Talvez, o dia do aniversário dos meus filhos… Não sou muito dado a datas.
Entre Vistas – Um desejo?
António Torrado - Os desejos não se contam. Os desejos para eles se realizarem têm que ficar secretos… se não… não há hipóteses… Os desejos e os segredos guardam-se. Tenho-os… mas agora não digo.




Como disse, na entrevista, sessões como esta são particularmente inspiradores para a minha vida profissional da escrita para os mais jovens. Se no fim da minha intervenção me agradeceram com palmas, eu retribuo e agradeço a vossa participação atenta com o meu "Bem Haja!". Também merecem palmas.
António Torrado
Dez. 2009
 
Entrevista conduzida por Bárbara Tomé Marques e Rodrigo Miquelino
Guião da entrevista - produção colectiva 6ºA (2009/10)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Entrevista ao presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Jorge Desidério Silva


Entre Vistas - O que é que o levou a escolher a política?
Desidério Silva – Eu não posso dizer que escolhi a política. A política foi uma consequência natural da minha actividade associativa. Estive muitos anos no movimento associativo, nas associações de pais. Houve pessoas que entenderam que o trabalho que eu estava a fazer poderia ser valorizado pela política. então, foi convidado para entrar na política, para dar continuidade ao trabalho que já vinha a fazer nas associações. Não foi uma escolha minha, mas sim, foi escolhido por algumas pessoas que entenderam que eu podia produzir alguma coisa na política.
Entre Vistas - O que é que o levou a candidata-se a Presidente da Câmara?
Desidério Silva – Depois de estar alguns anos na política e ter passado por alguns cargos, fui secretário da Junta de Freguesia de Albufeira, concorri numa lista à câmara, fui eleito vereador, onde estive aqui a trabalhar na Câmara a tempo inteiro, surgiu a hipótese da minha candidatura. Um grupo grande de pessoas entendeu que eu me devia candidatar. O que, também, me levou a candidatar foi o resultado do trabalho que eu fui fazendo em prol do município e depois de ouvir algumas pessoas que entenderam que era importante a minha candidatura.
Entre Vistas – O que acha a sua família do facto de ser político?
Desidério Silva – Agora, é um pouco diferente. Há uns anos atrás, eles achavam que era muito complicado, porque a vida de político é uma vida de entrega 24 horas por dia, em que a família é desvalorizada face aos nossos compromissos e às nossas obrigações, o que leva a algum abandono e a algum desacompanhamento. Actualmente, penso que essa situação, já está resolvida e a minha família já tem uma visão diferente da que tinha, há alguns anos atrás. Já perceberam qual é o sentido de ser político, quais são as funções e o papel do presidente da Câmara e já aceitam esse sacrifício em prol do município.










Jorge Desidério Silva ao Raio X
Entre Vistas - Desporto preferido?
Desidério Silva - Gosto muito de desporto, até porque tenho o pelouro do desporto. Gosto do desporto de uma forma global, abrangente. Mas, aquele que eu acompanho mais é o futebol. Também gosto muito do basquetebol e do ciclismo.
Entre Vistas - Local preferido para passar férias?
Desidério Silva - Eu não passo muitas férias. Enquanto presidente de Câmara, tenho muitas férias por gozar. Não tenho tempo, devido às obrigações e deveres de presidente de Câmara. Quando tenho alguns dias de férias, às vezes, fico aqui por Albufeira, outras vezes, desloco-me até ao sul de Espanha. Das cidades europeias... gosto muito de Barcelona.
Entre Vistas - Cidade portuguesa preferida?
Desidério Silva - Portuguesa e bonita, sem dúvida, é Albufeira. Se tivesse que escolher outra cidade, escolhia Coimbra porque é simpática, atractiva. Tem umas características especiais de que eu gosto.
Entre Vistas - País que mais gostou de visitar?
Desidério Silva - Há dois países que eu gostei muito de visitar, a Áustria e a Itália.
Entre Vistas - Prato de comida favorito?
Desidério Silva - Peixinho grelhado com salada, peixe aqui do nosso mar de Albufeira.
Entre Vistas - Estação do ano preferida?
Desidério Silva - Pelo muito trabalho que me dá, o Verão.
Entre Vistas - Animal de estimação?
Desidério Silva - Eu gosto muito de cães. Tenho uma cadela que é um espectáculo, chama-se Maggie e tem dez anos. Eu adoro cães.
Entre Vistas - Música preferida?
Desidério Silva - Eu sou do tempo dos Beetles, dos Bee Gees e daquelas músicas que fizeram e continuam a fazer história. Por isso, eu gosto muito das músicas dos anos 60 e 70. Essa música ajudou-me a crescer... a crescer muito.
Entre Vistas - Livro que mais gostou de ler?
Desidério Silva - Gosto muito de livros policiais e de romance. Mas, não tenho nenhum que se destaque.
Entre Vistas - Actor ou actriz favorito?
Desidério Silva - Richard Gere e Harrisson Ford, nos actores e Catherine Zeta-Jones e Jennifer Lopez, nas actrizes.
Entre Vistas - Cor preferida?
Desidério Silva - Eu tenho várias cores preferidas. Gosto muito do verde, porque sou do Sporting, gosto muito do laranja, é a cor da moda, também gosto do azul.
Entre Vistas - Maior Virtude?
Desidério Silva - Isso nunca se pergunta. Mas, procuro ser tolerante, procuro ouvir. Enquanto autarca, pretendo seguir três princípios: ser humilde, ser tolerante e saber ouvir as pessoas.
Entre Vistas - Maior defeito?
Desidério Silva - Entrego-me demasiado às coisas e cuido pouco de mim. Por vezes, prejudica-me fisicamente, surgindo, em certos momentos, algum cansaço.
Entre Vistas - O que mais detesta?
Desidério Silva - A hipocrisia, mentiras, traições. Gosto que as pessoas sejam sinceras e que falem com clareza.
Entre Vistas - O que mais lhe dá prazer?
Desidério Silva - Na minha vida pessoal, é conseguir equilibrar a família com a política. Enquanto autarca, dá-me prazer, poder pensar, propor, avançar com os projectos. E depois, ver as obras concluídas e pô-las ao serviço das pessoas. Dá-me um prazer enorme, passar pelos sítios e ver que estive no princípio daquela obra, que agora está a funcionar e que usufruem dela mil, dois mil, três mil pessoas. É, perceber que contribuímos com decisões que ajudaram a resolver os problemas dos outros. A política é uma entrega aos outros. Não conseguimos resolver todos os problemas, nem tudo, como toda a gente quer. Agora, quando temos a consciência que fizemos as coisas sem privilegiar, nem prejudicar ninguém, isso dá-nos imenso prazer.
Entrevista conduzida por Ana Reis, Filipa Valoroso e Inês Alves
Guião da entrevista - produção colectiva 6ºC (2007/08)